Toponímia


Pêra do Moço deverá ser um topónimo formado a partir do correspondente antropónimo. Na região há mais casos idênticos, alguns até dentro dos limites geográficos da freguesia, como a seu tempo poderemos verificar. Nas proximidades, podemos localizar diversas povoações cujos nomes lembram indivíduos — João Antão, João Bragal, João Bravo, João Durão, Gonçalo, Gonçalo Bocas, Adão, Fernão Joanes, Pero Soares, Vila Fernando, Vila Soeiro, Paiviegas (Paio Viegas), Aldeia de Joanes, Aldeia de João Pires, Quinta de Pero Martins, Monteiros, Gonçalveiros, Monte Margarido.
O nome da aldeia e freguesia, Pêra do Moço, parece sugerir a evocação de um tal Pêro, o Moço, que seria um habitante denominado Pêro, redutivo de Pedro, talvez filho de outro de igual nome, e por isso chamado Moço, para se fazer a indispensável distinção de pessoas.
Por isso, podemos admitir que o filho se destacasse mais do que o seu progenitor, por motivos que agora é difícil, mesmo impossível congeminar.
Deve atender-se a que na primeira metade do século XX o nome da aldeia tinha pronúncia diferente da actual, pois dizia-se Péra, com som aberto e não fechado, como hoje. Isso nos leva a aproximar a prosódia do termo com a do étimo latino, Petrus.
Alguns estudiosos, como por exemplo José Pedro Machado, afirmam que a forma toponímica Péra pode indicar uma de duas coisas, a evolução do termo Pedro através de pedra ou então estar relacionado com um étimo que significa saco. Para o nosso caso serve melhor a primeira acepção.

 

 

Anexas e seus oragos


De certo interesse, em todas as povoações, poderão ser as respectivas capelas, uma em cada aglomerado populacional, com a excepção do Amial, que por ser muito diminuto e ficar perto da Menoita não a possui, e Pêra do Moço, que além da igreja paroquial conserva a capela privativa do lugar.
São as seguintes as suas designações e a respectiva localização:

 

Pêra do Moço               S. João Baptista (Igreja paroquial)
Pêra do Moço               S. Sebastião
Guilhafonso                  S. António
Martianes                      Nª Sª das Necessidades
Verdugal                        S. Salvador (Jesus Cristo)
Rapoula                        S. Marcos Evangelista
Menoita                          S. Bárbara

 

Todas estas capelas têm características que nos levam a supor terem sido construídas ou reedificadas desde os fundamentos ao longo do século XVIII, pois parecem ser do estilo joanino rústico (a que se chama por vezes estilo barroco rural), todas de igual estrutura, de tamanho aproximado e com semelhanças bem notórias, sem que alguma delas mostre ter antiguidade notável ou modernidade digna de menção. Não têm valor artístico saliente, nem na arquitectura nem na decoração; os seus altares são de confrangedora pobreza.

 

 

A igreja matriz


A igreja paroquial é do estilo barroco joanino. A sua amplidão corresponde à importância que outrora teve esta freguesia e ao número dos seus habitantes.
Recordemos que até cerca de 1940, havia apenas uma missa dominical e quase todos os moradores assistiam, enchendo completamente o vasto templo, mesmo com certo aperto. Nessa época, até estava desprovida de bancos, permitindo comportar maior número de fiéis. A bancada foi feita já no tempo do P. Alberto Gonçalves.
As suas paredes são de largura descomunal, pois tem cerca de metro e meio; recorde-se que o acesso ao púlpito e à torre se faz por escadas bastante largas encaixadas no interior das paredes laterais.
Têm uma cornija de bom desenho em toda a sua extensão, com saliência tanto para o interior como para o exterior.
A capela-mor está separada da nave por um arco de volta redonda, elegante mas sem ornatos ou enfeites, se excluirmos o medalhão cimeiro e um friso múltiplo em toda a altura.
A frontaria mostra certa imponência, mas a sua ornamentação é modesta — acompanha o alto pórtico, uma grande janela e o nicho, vazio de imagem. E não deixa de apresentar arquivoltas bastante graciosas.
Já recordámos que a tradição oral afirmava ter vindo das proximidades da Menoita a cantaria mais valiosa; a análise superficial do granito coaduna-se com tal hipótese.
O altar-mor é do estilo do tempo da construção ou até anterior, barroco, de colunas em espiral com frisos de cachos de uva e pássaros. Mantém características bastante comuns e que deveriam ter na época expansão muito considerável.
Observando-o com alguma atenção pode pensar-se ter sido resultado de uma adaptação, pois há diferenças bem notórias de um plano para o outro; pelo menos num deles, as colunas, embora semelhantes, parece terem sido mutiladas, visto apresentarem o fuste sem base mas conservando o capitel.
O pormenor de maior interesse deverá ser o que é constituído por duas pequenas figuras femininas, colocadas na sua parte superior, em graciosa posição. Uma sustenta a cruz e a outra o turíbulo.
Para adaptar a igreja à reforma conciliar, uma nova mesa do altar, bastante diferente do que poderia imaginar-se, foi colocada no meio da capela-mor ou presbitério.
Os dois altares laterais eram de inadequada e confrangedora pobreza, tipo armário, tendo na última remodelação sido retirados e colocado em seu lugar um revestimento de mármore, a destoar do conjunto. Se houvesse a preocupação de manter as características primitivas, a reconstrução seria bem diferente...
Foi da responsabilidade do P. Alberto Gonçalves, a quem adiante nos referiremos mais longamente, a grande reparação da igreja paroquial que eliminou os altares laterais, tanto o primitivo como outro, o do lado direito, de pobre e fantasioso estilo gótico, ali colocado por iniciativa do P. Antonino Dias Saraiva, que ainda voltaremos a encontrar. A maior alteração do conjunto consistiu na substituição do antigo tecto de madeira por uma abóbada de cimento e tijolo. Sob o aspecto estético e artístico, podemos pôr reservas à validade da decisão, pois criou um caso que não sendo único deve ser raro no universo arquitectónico do estilo barroco joanino.

 

Festas nas aldeias


Não havia na freguesia a tradição de celebrar as festas dos santos padroeiros com romarias anuais, realizando-se só esporadicamente, quando as circunstâncias o permitissem.
A festividade celebrada com maior frequência, com mais regularidade, era a de S. Marcos, na Rapoula, em 25 de Abril.
Pêra do Moço nunca festejou S. João Baptista e só de anos a anos fazia festa a S. Sebastião, mas no terceiro domingo do mês de Maio, provavelmente porque no dia da sua memória litúrgica, 20 de Janeiro, se estava em pleno inverno.
As demais aldeias ofereciam condições semelhantes quanto à realização das festas dos seus oragos ou patronos.


Anedota local


Ao fazer as suas orações, em comum com o marido, uma devota invocava o "santo do dia"; como estavam em vinte e cinco de Abril, festa do Evangelista São Marcos, o seu cônjuge aproveitou para a esclarecer e ao mesmo tempo suplicar ao santo:


Ó glorioso São Marcos,
Que amansais os bravos,
Amansai a minha mulher,
Que é levada dos diabos!

 

 

Artesanato... e outras coisas


Falámos atrás de uma moagem accionada por motor, que funcionou no Verdugal. O seu proprietário, Albino Pires, foi o pai de dois fabricantes de apreciadas facas de cozinha, renomadas como manifestação artesanal, Adelino Pires e Ernesto Pires.
O primeiro é alguns anos mais velho do que o compilador destas anotações; o segundo é praticamente da mesma idade, tendo sido companheiros nos bancos da escola primária. A sua iniciativa permitiu-lhes colher bons resultados pecuniários, mas também divulgou o nome da sua terra, dando-o a conhecer em dilatadas regiões do País e até do estrangeiro.
Esta família manifestou de longe raros dotes de iniciativa. Já falámos na sua moagem mecânica, uma inovação com tendência progressista.
Pelo início da década de 1930, o pai Albino Pires tomou a decisão de construir a residência fora da povoação, numa propriedade agrícola, e tal facto causou estranheza. O feito foi imitado algum tempo depois por outro morador, que edificou casa nas proximidades da primeira.
Foi esta a origem da Quinta do Albino e da Quinta do Rebelo. Antes disso havia apenas em toda a freguesia uma residência isolada, junto à estrada que liga a Guarda a Pinhel; tinha o expressivo nome de Estalagem, não se sabendo que na origem ou alguma vez tivesse tal finalidade, pois a tradição local nada informa a esse respeito.


Teatro popular


Vinha de longe a atracção pelo teatro, quase sempre de fundo religioso, embora essa manifestação se efectivasse muito esporadicamente. Falando de Pêra do Moço, podemos dizer que conhecemos várias pessoas que nos princípios do século XX (mais provavelmente ainda nos anos finais do antecedente século XIX) tomaram parte na representação do Auto de São Sebastião, e alguns anos depois na apresentação do drama histórico Inês de Castro.
Em 1947 e 1948, representaram-se duas célebres peças teatrais escritas por Almeida Garrett, respectivamente, o figurativo Alfageme de Santarém (em 7 de Setembro de 1947) e o clássico Frei Luís de Sousa (em 16 de Maio de 1948). Para encher mais o programa, acrescentou-se a este último a alegoria Milagre da Serra, de João Correia de Oliveira, baseada nas aparições de Fátima, pouco antes publicada.
A iniciativa destes eventos foi do compilador destas anotações. Registamos que em vez dos trajes fantasiosos que geralmente se empregavam, houve a inovação de usar indumentária da época, fornecida por casa especializada do Porto, sendo alugado o correspondente guarda-roupa.
Sem pretender e nem poder elaborar uma lista completa destes acontecimentos, podemos referir que na freguesia se efectivaram, mais de uma vez, no nosso tempo, em Guilhafonso e Verdugal, Rapoula e Menoita.
Recordamos os títulos de alguns: Paixão de Cristo, Auto de Santa Bárbara, Rainha Santa, Honra e Glória, Os Dois Sargentos. Mas sabemos que foram muitos mais, outros que a memória se recusa a fazer reviver.
Quando ainda adolescente, tive a casual oportunidade de compulsar, de ler e a iniciativa de copiar um manuscrito do Auto de São Sebastião, que estava muito danificado, pois tinha sido escrito algumas dezenas de anos antes e servira várias vezes para récitas teatrais, tanto em Pêra do Moço como noutras localidades da região.
Sabemos não ser o texto original, pois a peça havia sido impressa no Porto, já no afastado ano de 1862. Conclui-se muito facilmente que se trata da adaptação do conhecido romance "Fabíola", de Wisemann. Ainda o conservamos, tendo-lhe introduzido mais tarde algumas alterações. Atribuía-se a sua autoria a D.Maria José Furtado de Mendonça, senhora culta, residente na Rapa e falecida em 1922, concluindo-se que foi obra da juventude...
Referem-se a esta escritora Pinharanda Gomes, em "Dicionário de Escritores do Distrito da Guarda", Inocêncio da Silva e a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

 

in: http://reocities.com/Athens/troy/4285/peramoco.html#Toponímia

 

 

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